Júnior do Macre
← Voltar ao mapa
Região de Integração · Guajará/Região Metropolitana

O Guajará não pode ser apenas centro administrativo: precisa ser vitrine, motor e porta do futuro

Por Júnior do MacreJulho de 202613 min de leitura5 municípios
Imagem 1 — Guajará/Região Metropolitana
Imagem 2 — Guajará/Região Metropolitana
Imagem 3 — Guajará/Região Metropolitana
Imagem 4 — Guajará/Região Metropolitana
Imagem 5 — Guajará/Região Metropolitana
1 / 5

A Região do Guajará é a porta de entrada do Pará.

É onde o Pará se apresenta ao Brasil e ao mundo. É onde chegam aviões, navios, eventos, turistas, investidores, estudantes, trabalhadores, empreendedores e sonhos. É onde está a capital. É onde a Amazônia urbana se mistura com rio, ilha, cultura, comércio, serviço, indústria, gastronomia, ciência, tecnologia e povo trabalhador.

Mas o Guajará não pode ser tratado apenas como região metropolitana. Não pode ser visto apenas como centro administrativo. Não pode ser lembrado apenas pelo trânsito, pela pressão urbana, pelos problemas sociais, pela falta de saneamento ou pela desorganização histórica.

O Guajará é muito maior do que seus problemas. O Guajará é uma das maiores oportunidades do Moderniza Pará.

A Região de Integração Guajará é formada por Belém, Ananindeua, Benevides, Marituba e Santa Bárbara do Pará. Segundo a Fapespa, é a menor região de integração em extensão territorial, com cerca de 1.819 km², mas concentra aproximadamente 1,98 milhão de habitantes, cerca de 24,36% da população do estado, com a maior densidade demográfica entre as regiões paraenses.

Isso mostra uma coisa muito clara: o Guajará é pequeno no mapa, mas gigante na vida do Pará. Quando o Guajará funciona, o Pará inteiro sente. Quando Belém se organiza, o Pará ganha imagem.

1. Logística: carga e cidadania

Quando Ananindeua cresce com planejamento, o Pará ganha comércio, moradia, serviços e empregos. Quando Benevides fortalece logística e agroindústria, o Pará ganha produção. Quando Marituba se integra melhor à capital, o Pará ganha mobilidade e dignidade urbana.

Quando Santa Bárbara avança com vocação agropecuária e integração metropolitana, o Pará ganha abastecimento, emprego e futuro regional. O Guajará precisa ser pensado como um sistema, não como municípios isolados. Essa é a primeira mudança de mentalidade.

Não existe Belém forte com entorno abandonado. Não existe Ananindeua forte com mobilidade ruim. Não existe Benevides produtiva sem logística eficiente. Não existe Marituba digna sem saneamento, habitação e serviços públicos.

Não existe Santa Bárbara integrada sem estrada, internet, crédito, produção e planejamento. A Região do Guajará precisa funcionar como uma grande engrenagem metropolitana.

2. Turismo: beleza que precisa virar renda

E dentro do Moderniza Pará, essa engrenagem precisa ter uma missão clara: transformar concentração populacional em oportunidade, transformar infraestrutura em produtividade, transformar cultura em renda, transformar turismo em emprego, transformar ciência em bioeconomia e transformar cidade em dignidade.

O Guajará é a região dos serviços, do comércio e da indústria urbana. Dados da Fapespa apontam que a economia da RI Guajará é diversificada, com o setor de serviços respondendo por 51,4% do PIB regional, seguido pela administração pública, pela indústria e pela agropecuária. O mesmo levantamento destaca comércio, fabricação de bebidas, frigoríficos, produção de açaí e mandioca entre atividades relevantes da região.

Isso precisa ser entendido como oportunidade. Serviço não é economia menor. Serviço é hotel, restaurante, hospital, escola, transporte, tecnologia, comércio, escritório, evento, turismo, manutenção, construção, comunicação, logística e empreendedorismo.

Comércio não é apenas loja aberta. Comércio é circulação de renda. Indústria não é apenas fábrica. Indústria é emprego qualificado, arrecadação, fornecedores, inovação e futuro.

3. Infraestrutura e cidadania

O Guajará tem a base que muitas regiões ainda estão construindo: gente, mercado, consumo, conexão, serviços e infraestrutura. O que falta é organizar melhor essa força. A segunda grande oportunidade está no turismo e na cultura.

Belém é uma das cidades mais fortes do Brasil em identidade cultural. O Ver-o-Peso, o Círio de Nazaré, a Estação das Docas, o Mangal das Garças, o Mercado de São Brás, Icoaraci, Mosqueiro, Outeiro, as ilhas, a gastronomia, o carimbó, o tecnobrega, o artesanato, a cerâmica, os rios e a hospitalidade paraense formam uma combinação única.

O Plano Municipal de Turismo de Belém reconhece o peso do patrimônio histórico-cultural da cidade, incluindo o complexo do Ver-o-Peso, o Círio de Nazaré como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a região insular com 39 ilhas e atrativos como o Museu Emílio Goeldi e o Bosque Rodrigues Alves.

Isso não é detalhe. Isso é economia. Cultura é emprego. Gastronomia é emprego. Evento é emprego. Turismo é emprego. Acolhimento é emprego. Mas turismo sem estrutura vira improviso.

Belém não pode receber o mundo apenas em momentos especiais e depois voltar ao abandono. O legado de grandes eventos precisa virar política permanente.

A COP30 colocou Belém e o Guajará sob os olhos do mundo. O desafio agora é não deixar essa visibilidade virar apenas lembrança. Obras como a requalificação do Terminal Portuário de Outeiro, entregue com investimento de R$ 260 milhões, precisam deixar legado real para turismo, mobilidade, cruzeiros, embarque, desembarque, empregos e integração regional. O governo federal informou que a obra modernizou o cais e gerou cerca de 450 empregos, com prioridade para trabalhadores da região.

4. Porto: não apenas escoamento, mas desenvolvimento

Esse é o ponto. Obra boa não é a que aparece na inauguração. Obra boa é a que continua mudando a vida depois da festa. O Porto de Outeiro precisa virar porta turística.

O aeroporto precisa virar porta econômica. As ilhas precisam virar roteiro organizado. Mosqueiro precisa ser tratado como joia turística, não como improviso de fim de semana.

Icoaraci precisa ser polo de cerâmica, gastronomia e turismo cultural. O Ver-o-Peso precisa ser vitrine mundial da Amazônia. O Combu e as ilhas precisam ser exemplo de turismo sustentável, bioeconomia, chocolate, açaí, culinária e renda local.

A terceira grande oportunidade está na bioeconomia. O Guajará pode ser a cabeça pensante da bioeconomia amazônica. O interior produz. As ilhas produzem. A floresta produz.

Os rios produzem. Mas é no Guajará que estão universidades, laboratórios, centros de pesquisa, eventos, investidores, logística, aeroportos, portos, serviços especializados, comunicação e mercado consumidor. Isso precisa ser usado para beneficiar o Pará inteiro.

5. Bioeconomia: floresta em pé com renda de verdade

O Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, instalado em Belém nos Armazéns 5 e 6 do antigo porto, foi apresentado pelo Governo do Pará como estrutura de 6.000 m² voltada a unir ciência, tecnologia e saberes tradicionais para transformar a biodiversidade amazônica em negócios de alto valor agregado. O projeto foi anunciado como parte estruturante do Plano Estadual de Bioeconomia.

Esse é exatamente o caminho do Moderniza Pará. Não basta vender açaí. Tem que vender produto, marca, embalagem, tecnologia e pesquisa. Não basta vender óleo.

Tem que vender cosmético, fitoterápico, perfume, insumo, fórmula e indústria. Não basta falar em floresta. Tem que transformar floresta em renda para quem vive dela.

O Guajará pode ser o grande laboratório urbano da Amazônia. Laboratório de alimentos. Laboratório de cosméticos. Laboratório de turismo. Laboratório de tecnologia.

Laboratório de logística. Laboratório de economia criativa. Laboratório de educação profissional. Laboratório de cidade amazônica moderna. Mas isso só funciona se o povo participar.

Bioeconomia não pode ser luxo para seminário. Bioeconomia tem que gerar renda no bairro, na ilha, na comunidade, na pequena empresa, na cooperativa, no laboratório, na fábrica e na feira. A quarta grande oportunidade está na integração urbana.

6. Saneamento e segurança: a base

O Guajará é a região mais populosa e densa do Pará. Isso significa mercado, força de trabalho e consumo. Mas também significa pressão sobre transporte, saneamento, habitação, saúde, segurança, drenagem, resíduos e mobilidade. Não dá para falar em modernizar o Pará sem modernizar o cotidiano de quem mora no Guajará.

Modernizar o Guajará é fazer o trabalhador gastar menos tempo no deslocamento. É fazer a mãe ter saúde mais perto. É fazer o jovem ter escola técnica. É fazer a periferia ter internet, segurança, praça, esporte e oportunidade.

É fazer o esgoto deixar de correr a céu aberto. É fazer a chuva deixar de virar tragédia. É fazer o lixo virar gestão moderna. É fazer a cidade conversar com o rio, e não virar as costas para ele.

O Guajará precisa de urbanismo amazônico. Não é copiar modelo de cidade de fora. É criar uma cidade pensada para calor, chuva, rio, ilha, mangue, feira, porto, bicicleta, ônibus, barco, comércio popular, cultura de rua e população trabalhadora.

7. Transporte: conectar o povo

O Guajará precisa de mobilidade metropolitana. Ônibus integrado. BRT funcionando. Transporte hidroviário. Ciclovias onde fizer sentido. Terminais dignos. Calçadas.

Acessibilidade. Segurança viária. Conexão entre Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara. Porque cidade desconectada rouba tempo do trabalhador.

E tempo é vida. A quinta oportunidade está na indústria e na logística.

A Fapespa já apontava que a RI Guajará possui os melhores índices de infraestrutura econômica e social entre as regiões de integração do estado, é cortada pela BR-316 e pela PA-391, tem participação relevante no PIB estadual e abriga distritos industriais como Icoaraci e Ananindeua.

8. Açaí: cadeia de valor completa

Isso é uma vantagem enorme. Mas vantagem sem projeto vira desperdício. O Guajará precisa ser polo de indústria limpa, alimentos, bebidas, logística, embalagens, pescado, açaí, cosméticos, tecnologia, economia criativa e serviços avançados.

Ananindeua pode ser potência comercial e logística. Benevides pode crescer como eixo agroindustrial e logístico. Marituba pode se reorganizar como cidade integrada, produtiva e digna.

Santa Bárbara pode fortalecer produção, abastecimento e integração rural-metropolitana. Belém pode ser capital da bioeconomia, cultura, turismo e inovação amazônica. Cada município tem uma função.

Mas o futuro está em fazer essas funções conversarem. Uma indústria em Benevides pode processar produto que vem de Santa Bárbara. Um centro de distribuição em Ananindeua pode abastecer Belém e o interior.

9. Gastronomia de nível mundial

Um laboratório em Belém pode desenvolver produto da floresta. Um empreendedor de Marituba pode vender para a metrópole inteira. Uma comunidade da ilha pode fornecer gastronomia, turismo e bioeconomia.

Uma cooperativa pode sair da informalidade quando encontra crédito, tecnologia e mercado. É assim que a riqueza fica. A sexta oportunidade está na juventude.

O Guajará concentra uma grande parte dos jovens do Pará. Essa juventude pode ser o maior problema social se for abandonada, ou a maior força econômica se for preparada. A escolha é política. O jovem do Guajará precisa de escola técnica, internet, cultura, esporte, primeiro emprego, crédito, curso profissionalizante, tecnologia, empreendedorismo, segurança e perspectiva.

Ele precisa poder trabalhar com turismo, gastronomia, audiovisual, tecnologia, logística, comércio, indústria, bioeconomia, estética, moda, comunicação, manutenção, saúde, educação, transporte, produção cultural e serviços. O Guajará tem juventude criativa.

Tem juventude empreendedora. Tem juventude que sabe vender, comunicar, criar, produzir e se virar. O que falta é abrir porta. Não existe desenvolvimento metropolitano sem juventude no centro.

O Guajará também precisa olhar para suas periferias como potência, não apenas como problema. Terra Firme, Guamá, Jurunas, Benguí, Cabanagem, Icuí, Paar, Jaderlândia, Águas Lindas, Decouville, bairros e comunidades de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara precisam ser tratados como territórios de oportunidade.

10. Energia que precisa virar oportunidade

Onde existe dor, também existe energia humana. Onde existe informalidade, pode nascer empreendedorismo. Onde existe juventude, pode nascer inovação. Onde existe cultura, pode nascer economia criativa.

Onde existe comunidade, pode nascer organização. O Estado não pode chegar só com polícia, promessa ou obra de ocasião. Tem que chegar com escola, saúde, esporte, cultura, crédito, infraestrutura, saneamento, emprego e dignidade.

Essa é a diferença entre administrar problema e construir futuro. A sétima oportunidade está nas ilhas. Belém e o Guajará não são apenas cidade de asfalto.

São cidade de rio. São cidade de ilha. São cidade de barco. São cidade de feira. São cidade de açaí. São cidade de peixe. São cidade de gente que vive entre água, floresta e mercado.

11. Agrofloresta: produzir com a floresta

As ilhas do Guajará podem ser referência em turismo sustentável, gastronomia, chocolate, açaí, agrofloresta, artesanato, pesca, trilhas, hospedagem comunitária e educação ambiental. Mas ilha não pode ser lembrada só como passeio. Ilha tem povo.

Tem criança. Tem escola. Tem posto de saúde. Tem transporte. Tem empreendedor. Tem agricultor. Tem pescador. Tem mulher trabalhadora. Tem juventude. Tem cultura.

O turismo precisa chegar respeitando. A bioeconomia precisa chegar remunerando. A infraestrutura precisa chegar garantindo dignidade. O morador da ilha não pode virar figurante da própria paisagem.

Ele precisa ser protagonista. Esse é o tipo de desenvolvimento que o Moderniza Pará defende: desenvolvimento com gente dentro. O Guajará também tem a responsabilidade de ser vitrine do Pará.

12. Cultura: identidade que vira economia

Quando alguém chega ao Pará, normalmente chega pelo Guajará. Se a pessoa encontra aeroporto bom, cidade limpa, trânsito organizado, orla bonita, segurança, gastronomia forte, cultura viva, transporte digno e turismo bem estruturado, ela sai dizendo que o Pará é grande.

Mas se encontra abandono, sujeira, violência, desorganização e improviso, ela sai com uma imagem injusta de todo o estado. Por isso, cuidar do Guajará não é vaidade da capital. É estratégia estadual.

O Guajará vende a imagem do Pará. E o Pará precisa cuidar da sua vitrine. Mas vitrine não pode ser só fachada. Tem que ter dignidade por trás. Não adianta arrumar o cartão-postal e esquecer a periferia.

Não adianta pintar a orla e deixar o bairro alagando. Não adianta fazer evento internacional e o trabalhador continuar sem transporte digno. Não adianta falar de Amazônia para o mundo e não garantir saneamento para quem mora na Amazônia urbana.

O Guajará precisa ser moderno de verdade. Moderno no centro. Moderno na periferia. Moderno nas ilhas. Moderno na indústria. Moderno na mobilidade. Moderno no turismo.

Moderno na gestão pública. Moderno na forma de tratar o povo. A pergunta certa não é apenas: quantas pessoas vivem no Guajará? A pergunta certa é: quantas dessas pessoas têm oportunidade?

A pergunta certa não é apenas: quanto o Guajará contribui para a economia? A pergunta certa é: quanto dessa economia vira emprego, renda e dignidade? A pergunta certa não é apenas: quantos turistas chegam em Belém?

A pergunta certa é: quanto esse turismo melhora a vida de quem trabalha em hotel, restaurante, barco, guia, feira, artesanato, transporte e cultura? A pergunta certa não é apenas: quantos investimentos foram feitos para grandes eventos? A pergunta certa é: quanto desse investimento virou legado permanente para a população?

Essa mudança de pergunta muda tudo. Porque coloca o povo no centro. O Guajará já tem população. Já tem mercado. Já tem cultura. Já tem rio. Já tem ilhas. Já tem porto.

Já tem aeroporto. Já tem indústria. Já tem comércio. Já tem serviço. Já tem universidade. Já tem conhecimento. Agora precisa de integração. Precisa de planejamento.

Precisa de gestão. Precisa de saneamento. Precisa de mobilidade. Precisa de segurança. Precisa de bioeconomia. Precisa de juventude preparada. Precisa de periferia valorizada.

Precisa de projeto. Quando o Guajará cresce, o Pará cresce. Quando Belém se moderniza, o Pará ganha vitrine. Quando Ananindeua se organiza, o Pará ganha comércio e força urbana.

Quando Benevides avança, o Pará ganha logística e agroindústria. Quando Marituba recebe dignidade, o Pará ganha justiça metropolitana. Quando Santa Bárbara fortalece produção e integração, o Pará ganha abastecimento e futuro.

Quando as ilhas geram renda com respeito, o Pará ganha identidade. Quando a juventude encontra oportunidade, o Pará ganha uma nova geração. O Guajará não é apenas a região da capital.

É a região que apresenta o Pará ao mundo. E quem quiser modernizar o Pará precisa entender isso: não existe Pará moderno com o Guajará desorganizado, desigual e subaproveitado. O Guajará precisa ser protagonista.

Precisa ser vitrine. Precisa ser motor. Precisa ser laboratório. Precisa ser porta de entrada para uma nova economia amazônica. Porque o Guajará tem tudo para provar ao Brasil uma coisa simples:

A Amazônia também é cidade. A Amazônia também é indústria. A Amazônia também é tecnologia. A Amazônia também é turismo. A Amazônia também é cultura. A Amazônia também é futuro.

E o futuro do Pará passa pelo Guajará.

Compartilhe estas ideias

Mande para quem é da região e ajude o debate a chegar mais longe.

WhatsAppE-mail